A Casa Darcy Ribeiro, em Maricá, virou cenário e inspiração para um encontro musical histórico. O espaço, que já carrega o peso da cultura e da educação brasileiras, agora também entra para a história da música com a gravação do álbum “Rua das Pretas + Moacyr Luz + Orquestra Língua ao Mar”, reunindo artistas de vários países que falam português.
O projeto foi idealizado pelo músico e diretor musical Pierre Ardene, e junta o grupo internacional Rua das Pretas (criado em Portugal), o sambista Moacyr Luz e a nova formação chamada Orquestra Língua ao Mar.
— Esse projeto fala de um Brasil profundo, do Brasil que veio do mar, das raízes indígenas e africanas. É a língua portuguesa misturada com nossa musicalidade, com o batuque que atravessou oceanos. A ideia foi reunir tudo isso aqui, nesse lugar simbólico — contou Pierre.
A gravação das músicas e dos vídeos acontece nas salas da Casa Darcy Ribeiro, que tem projeto de Oscar Niemeyer e foi construída a pedido do próprio Darcy. Foi ali, olhando para o mar em Cordeirinho, que ele terminou sua principal obra, o livro “O Povo Brasileiro”.
— Estar aqui já emociona. Ver o mar batendo na beira da casa, a casa do Darcy… E agora juntar artistas de Angola, Moçambique, Cabo Verde, além do Brasil… É voltar às origens. Nossa história tem muito mais batuque que fado. E ainda temos uma reparação a fazer com esses povos que vieram pra cá escravizados — disse Moacyr Luz, visivelmente tocado.
O álbum, com 11 faixas, fala justamente da formação do povo brasileiro, do sincretismo, das influências, dos encontros e da mistura que faz do Brasil um país único. A iniciativa é da Codemar (Companhia de Desenvolvimento de Maricá), com apoio da Prefeitura de Maricá, e gestão cultural do Circo Crescer e Viver.
E segundo Pierre, a gravação na Casa Darcy só saiu do papel graças a um empurrão do prefeito:
— Foi o Quaquá que provocou esse encontro. A ideia de gravar aqui foi dele. E tudo só andou graças ao trabalho ágil da Codemar — completou.
Mais que um álbum, o projeto é um manifesto musical em defesa da memória, da cultura e da identidade brasileira. E agora, com Maricá no centro desse palco.

