Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam e companheira do traficante Marcinho VP, está entre os alvos de uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira (11) contra a facção criminosa Comando Vermelho. Até o momento, a ação já resultou no cumprimento de 10 mandados de prisão, incluindo o do vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira (PSD).
Segundo as investigações, Márcia teria participação na mediação de interesses da organização criminosa fora do sistema prisional. De acordo com a Polícia Civil, ela atuaria na troca de informações entre integrantes da facção e em articulações envolvendo operadores do grupo e pessoas externas. Ainda segundo os investigadores, Márcia é considerada foragida da Justiça.
Ela é companheira de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho no país. Em 2007, o traficante foi transferido para o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Somadas, as condenações dele chegam a 55 anos de prisão.
Márcia também é mãe de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam. O artista responde na Justiça pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, ameaça e dano ao patrimônio público. Ele foi detido em julho de 2025 após se apresentar à Polícia Civil, mas teve a prisão convertida em domiciliar dois meses depois. Desde fevereiro, o cantor é considerado foragido por descumprir medidas cautelares.
O advogado Flávio Fernandes, responsável pela defesa de Márcia, afirmou que sua cliente não pode ser considerada foragida. Segundo ele, a família não recebeu mandado de prisão nesta quarta-feira (11), apenas uma ordem de busca e apreensão.
Ainda de acordo com o advogado, Márcia já havia sido alvo de uma operação em 2010 relacionada às mesmas acusações. Na ocasião, ela chegou a ser presa, mas acabou absolvida pela Justiça do Rio de Janeiro.
Operação Red Legacy
A Polícia Civil também deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação Red Legacy, que investiga a estrutura e o funcionamento do Comando Vermelho em diferentes estados do país. As apurações apontam que a facção possui uma cadeia de comando organizada, com divisão territorial e articulação entre integrantes em várias regiões.
Até o momento, 10 mandados de prisão foram cumpridos. Entre os detidos estão seis policiais militares e o vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira (PSD), que também já ocupou o cargo de secretário especial da Juventude na gestão do prefeito Eduardo Paes.
Acusações contra vereador
De acordo com as investigações, Salvino Oliveira teria mantido negociações diretas com lideranças do Comando Vermelho para garantir exclusividade eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio.
Em troca da autorização para atuar politicamente na região, o vereador teria oferecido benefícios a integrantes do tráfico, como a instalação de quiosques na comunidade.
Segundo a apuração, o acordo teria sido tratado diretamente com Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, apontado como um dos principais líderes da facção criminosa.
O parlamentar nega qualquer envolvimento. Ao chegar à delegacia, Salvino Oliveira afirmou não ter ligação com os investigados.
“Entrei na política para mudar a vida das pessoas e estou sendo vítima de uma disputa política que não é minha”, declarou.
Em nota, a defesa do vereador informou que aguarda esclarecimentos das autoridades para compreender os fatos investigados.
Os policiais militares presos são suspeitos de repassar informações sigilosas à organização criminosa.

