O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (16), o fim da escala 6×1 e a adoção de uma jornada de trabalho que garanta mais tempo de descanso aos trabalhadores. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Desce a Letra.
“Tem milhões de pessoas, sobretudo no comércio, que trabalham 6 por 1. A pessoa não tem tempo para descansar”, afirmou o presidente.
A proposta em discussão prevê reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com limite de oito horas por dia. O texto também estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.
A proposta permite ainda a compensação de horários e a redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Lula destaca impacto sobre as mulheres
Durante a entrevista, Lula relacionou a discussão sobre a jornada de trabalho à rotina das mulheres, que, além do emprego formal, frequentemente acumulam tarefas domésticas e responsabilidades relacionadas aos cuidados com os filhos.
“Você imagina a mulher que tem, às vezes, três tarefas. Tem que cuidar das crianças, da casa e ainda trabalhar fora. Então é importante que a mulher tenha um dia para ficar em casa descansando, descansando de verdade”, declarou.
Segundo o presidente, o período de descanso das mulheres pode ser reduzido pela divisão desigual das tarefas domésticas e familiares.
“A noite da mulher é de trabalho, o domingo da mulher é de trabalho também. Porque é ela que limpa a casa, que lava o banheiro, que dá banho nas crianças, que troca as crianças, que prepara o almoço, que prepara a janta. Então é preciso que a mulher tenha um tempo de descanso”, afirmou.
Lula também defendeu uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa. “E nós, homens, ainda não aprendemos a ir para a cozinha ajudar a mulher”, disse.
Presidente defende negociação coletiva
Lula também associou o debate sobre a escala 6×1 ao fortalecimento da negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.
“Nós defendemos o contrato coletivo de trabalho porque, através do sindicato, com um sindicato forte, os trabalhadores definem jornada de trabalho, definem a questão de salário, definem uma série de direitos”, afirmou.
A proposta de mudança na jornada de trabalho prevê, portanto, alterações na organização semanal do trabalho, mantendo o salário dos trabalhadores mesmo com a redução da jornada máxima para 40 horas semanais.

