O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a política comercial adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu o multilateralismo como caminho para manter relações comerciais mais equilibradas entre os países.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (21), durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN dos Estados Unidos. Lula afirmou que a estratégia de negociação unilateral defendida pelo governo norte-americano pode favorecer os países economicamente mais fortes.
Segundo o presidente brasileiro, o relacionamento comercial internacional deve considerar organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), para evitar desequilíbrios entre as economias.
“Ele tem um viés muito forte de aprovar o unilateralismo, ou seja, o relacionamento individual, sem levar em conta a Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso é muito perigoso, porque sempre há a possibilidade da predominância do mais forte”, afirmou Lula.
Lula critica tarifa aplicada pelos Estados Unidos ao Brasil
Durante a entrevista, Lula também voltou a criticar as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O presidente afirmou que o governo brasileiro apresentou informações durante as negociações, mas os norte-americanos decidiram aplicar as tarifas de forma unilateral.
De acordo com Lula, foram realizadas cerca de 30 reuniões envolvendo presidentes, ministros e equipes técnicas dos dois países antes da decisão.
“A taxação ao Brasil foi inverídica porque ela foi com base numa mentira. O Brasil é deficitário em relação aos Estados Unidos em muitos bilhões de dólares”, declarou.
Lula afirmou ainda que o Brasil pretende ampliar a busca por novos mercados internacionais para reduzir a dependência de determinados parceiros comerciais.
Brasil amplia mercados para produtos nacionais
Segundo dados apresentados pelo presidente, desde 2023 o governo brasileiro abriu 678 novos mercados em 93 países, número que, segundo Lula, representa crescimento de 179% em relação a 2022.
O presidente também citou o desempenho das relações comerciais brasileiras com diferentes países após a aplicação das tarifas pelos Estados Unidos.
“Depois do tarifaço, a relação comercial com os Estados Unidos, esse ano, caiu 9% nas exportações e caiu também 8,5% nas importações. Entretanto, fizemos uma média de crescimento de 10,5% com 57 países”, afirmou.
Lula citou ainda aumentos nas relações comerciais com China, Japão, Alemanha, Indonésia, Vietnã e União Europeia.
Lula descarta guerra tarifária com os Estados Unidos
Apesar das críticas à política comercial de Trump, Lula afirmou que pretende continuar negociando antes de recorrer à chamada lei da reciprocidade, que permite ao Brasil aplicar medidas semelhantes às impostas por outros países.
Segundo o presidente, as negociações entre Brasil e Estados Unidos foram retomadas após uma conversa telefônica com Trump, realizada em 21 de agosto.
“Enquanto estiver na mesa de negociação, eu não preciso fazer a lei da reciprocidade. Eu posso aguardar”, disse Lula.
O presidente também afirmou que não pretende iniciar uma guerra comercial com os Estados Unidos.
“Eu não pretendo entrar em guerra tarifária, nem com os Estados Unidos nem com ninguém. Eu quero negociar, sou de negociação”, declarou.
Lula voltou a defender o diálogo entre os países e criticou o que classificou como uma política baseada na força econômica. Para o presidente, as relações comerciais internacionais devem buscar equilíbrio entre os países, independentemente do tamanho de suas economias.

