O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (8), propostas de redução de despesas públicas atribuídas ao adversário político Flávio Bolsonaro e defendeu a política de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação. Segundo Lula, medidas de ajuste fiscal não devem prejudicar trabalhadores e pessoas de baixa renda.
Após o primeiro turno das eleições, notícias apontaram que Flávio Bolsonaro avalia mudanças nas regras de correção de despesas com Previdência, saúde e educação, com o objetivo de ampliar o espaço no orçamento em até R$ 250 bilhões.
Durante declaração à imprensa, Lula afirmou que, em seus governos e nos de Dilma Rousseff, houve aumento real do salário mínimo e das aposentadorias. O presidente também defendeu que parte do crescimento econômico seja repassada aos trabalhadores.
“O PIB é o resultado do crescimento da riqueza produzida por você, por mim e por 215 milhões de habitantes. É justo que, quando a economia cresce 2% ou 3%, você pegue esse crescimento do PIB e reparta para os trabalhadores”, declarou.
Lula cita orçamento de programas sociais
O presidente também mencionou recursos destinados a programas sociais e de saúde ao comparar o orçamento que recebeu em 2023 com as políticas adotadas durante seu atual mandato.
Lula afirmou que precisou aprovar a chamada PEC da Transição antes de assumir a Presidência para recompor recursos de diferentes áreas. Entre os exemplos apresentados, citou reduções orçamentárias no Farmácia Popular, no Mais Médicos e em ações de prevenção e controle do câncer.
“Corte de 59% no Farmácia Popular, foi o que eu encontrei no orçamento para eu começar a trabalhar. Corte de 50,7% no Mais Médicos. Corte de 45% para a prevenção e controle do câncer”, afirmou.
Lula também mencionou a verba para infraestrutura escolar, o Minha Casa, Minha Vida, o programa de construção de cisternas e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Farmácia Popular e acesso a medicamentos
Ao falar sobre saúde, Lula destacou a ampliação do Farmácia Popular, que passou a oferecer gratuitamente todos os medicamentos e insumos de seu elenco durante o atual governo.
O presidente também citou o Programa Dignidade Menstrual, que garante acesso gratuito a absorventes para pessoas que atendem aos critérios estabelecidos pelo programa.
Segundo Lula, a manutenção dessas políticas é importante especialmente para aposentados, que, de acordo com ele, precisam destinar parte da renda à compra de medicamentos.
Presidente afirma que cortes afetam população de baixa renda
Ao encerrar a declaração, Lula criticou propostas de ajuste fiscal que, em sua avaliação, concentram os efeitos sobre a população mais pobre. Ele defendeu a continuidade da política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação vinculados ao crescimento econômico.
“Então, o salário mínimo que garantimos todo ano, um aumento real acima da inflação, de acordo com o crescimento do PIB, eles não fizeram nenhuma vez e não vão fazer outra vez”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio ao debate eleitoral sobre as regras de despesas públicas, a política de valorização do salário mínimo e o financiamento de programas sociais. As propostas de mudanças no orçamento e na correção de benefícios devem ser analisadas à luz das medidas concretas apresentadas pelos candidatos.

