Você sabe o que é Autismo? O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição caracterizada por comprometimento na comunicação e interação social, associado a padrões de comportamento restritivos e repetitivos.
Quem convive com pessoas nessa condição, relata suas experiências. A cabeleireira, Lorena Silva Macedo, de 37 anos, mãe de Théo Macêdo Costa, uma criança autista de 4 anos, começou as terapias com 1 ano de idade, fez terapia ocupacional com integração sensorial, psicóloga, acompanhamento com fonoaudiologia e psicomotricidade.
Lorena percebeu que Théo tinha características diferentes. Quando ele, com um ano de idade, não atendia ao seu chamado, precisava ficar de frente para Théo e fazer contato visual para ele atender. Théo com 9 meses começou a andar na ponta do pé, não usava o brinquedo como geralmente as crianças usam, ficava rodando a rodinha do carrinho e a hélice do ventilador quando estava parado, ele não “dava tchau”, não batia palma, quando queria algo pegava a pessoa pela mão e a levava até o objeto que ele queria, ainda hoje tem dificuldade para falar e pronuncia apenas algumas palavras. Ele tem seletividade alimentar, não come doce, não come frutas, biscoitos só aceita alguns, não chupa bala, pirulito, açaí, sorvete, picolé, batata frita, dentre outras coisas. Come bem comida, suco, só toma de caju, se oferecer de outra furta, ele reconhece pela cor e nem experimenta, se forçar, ele faz ânsia de vômito. A criança não tem problemas com barulho, não tem estereotipia (movimentos repetitivos), que são comuns em autistas. Quando a família levou Théo ao neurologista, fez o teste, porém o profissional não deu o laudo, pois a criança era muito nova e conforme o tempo passou, outras características apareceram. Théo é bem agitado, mas ao mesmo tempo, bastante carinhoso. Interage e demostra carinho por adultos, não tem problemas com crianças, porém não faz muito contato. Ama água, quer tomar banho o tempo todo, gosta de sair de carro, andar de moto, ir para a escola e brincar no parque. Ele, como toda criança, se for estimulado e se respeitarem seus limites, é uma criança feliz. Théo é apenas uma criança, dentro dos dois milhões de autistas no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Cada pessoa com TEA, tem sua particularidade. Para a neurologista Isabella Braga Coutinho Lourenço, tudo deve ser avaliado dentro de um contexto. Segundo a médica, o TEA é uma síndrome e possui características peculiares. Sendo importante estar atento aos sinais mais comuns, como por exemplo: pouco contato visual, dificuldade para expressar sentimentos, irritabilidade com mudanças na rotina, comportamentos repetitivos, andar na ponta dos pés, balançar o corpo para frente e para trás, abanar as mãos, maior interesse em objetos do que em pessoas, dificuldade na comunicação, hipersensibilidade ao som, são alguns dos comportamentos que podem ser sinais que a pessoa tenha o Transtorno do Espectro Autista. A profissional relata que, o diagnóstico do autismo, é totalmente clínico e não existem exames específicos, ele se dá pela presença de dificuldades na interação social, comunicação/linguagem e presença de interesses restritos e repetitivos. Esses critérios precisam ter aparecido durante o período de desenvolvimento da criança, que é do nascimento até, mais ou menos, 8 anos.
O profissional de saúde, neurologista realiza testes para direcionar o diagnóstico junto com avaliações neuropsicológicas que é feita por um neuropsicólogo. A profissional alerta, que o familiar deve buscar ajuda médica sempre que observar sintomas típicos, como atrasos, principalmente na fala, estereotipias (movimentos com as mãos) ou inflexibilidade do comportamento, ainda que tais características mudem ao longo do tempo. Qualquer criança que tem ou já teve tais sintomas devem ser avaliada por um médico para diagnóstico e intervenções do transtorno.
A neurologista afirma, que autistas possuem uma menor habilidade social, mas também possuem um traço chamado de hipersensibilidade, fazendo com que eles sintam o amor que lhes é dado. “É fundamental ter paciência, aceitar as diferenças, respeitar suas habilidades naturais e seu desenvolvimento como ser humano. O amor sempre será o principal tratamento”, afirma Doutora Isabella.
A médica neurologista, especialista em neurociência e comportamentos, atende em consultórios em Itaboraí, São Gonçalo e Niterói. Em Itaboraí, a especialista atende na Av. 22 de Maio, 3850, sala 203 e 205 no Outeiro das Pedras. Telefone 98541-1108. Instagram @dra.isabellabraganeuro
