O advogado Marco Aurélio de Carvalho informou que entregou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os sigilos fiscal, bancário e telemático de Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A documentação teria sido apresentada voluntariamente na segunda-feira (19).
A iniciativa ocorreu após Lula anunciar que colocaria seus próprios dados e os de familiares à disposição da Justiça. Nesta terça-feira (20), o presidente protocolou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizando a divulgação de seus sigilos referentes aos últimos oito anos, desde que Flávio Bolsonaro também concorde em apresentar as mesmas informações.
A proposta inclui ainda familiares dos dois candidatos e empresas com as quais mantenham vínculos societários ou financeiros.
Advogado afirma que Lulinha está à disposição da Justiça
Marco Aurélio, que também coordena a campanha de reeleição de Lula, afirmou que Fábio Luiz decidiu disponibilizar voluntariamente suas informações às autoridades.
Segundo o advogado, o presidente conversou com o filho e solicitou que sua disposição para colaborar fosse comunicada à Polícia Federal e ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria de parte das investigações.
O advogado relatou ter viajado a Brasília para comunicar pessoalmente a decisão ao magistrado. Ele também afirmou que informou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre a disponibilidade de Lulinha para prestar esclarecimentos.
Atualmente, Fábio Luiz mora na Espanha com a família. De acordo com Marco Aurélio, ele poderá retornar ao Brasil caso seja convocado pela Polícia Federal para prestar depoimento.
Lulinha é investigado em três inquéritos da Polícia Federal
O filho do presidente é citado em três investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo empresas e o governo federal.
Duas dessas apurações estão sob relatoria do ministro André Mendonça, enquanto a terceira está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.
Marco Aurélio contestou a permanência de Lulinha nas investigações. Na avaliação do advogado, não haveria elementos suficientes para justificar a continuidade da apuração contra seu cliente.
Ele afirmou ainda que a própria Polícia Federal teria reconhecido a ausência de elementos suficientes até mesmo para realizar a oitiva de Fábio Luiz.
As declarações representam a posição da defesa e não significam que os inquéritos tenham sido encerrados.
Entenda a investigação envolvendo Lulinha
O nome de Fábio Luiz passou a ser investigado após a identificação de sua proximidade com a empresária Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Durante a investigação, a Polícia Federal apreendeu o celular da empresária. Segundo as suspeitas investigadas, Roberta teria atuado para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos principais personagens do suposto esquema.
Os investigadores apuram se a empresária teria desempenhado funções de articulação financeira e política relacionadas às irregularidades.
A defesa de Lulinha contesta seu envolvimento e sustenta que ele está disposto a fornecer informações e prestar esclarecimentos às autoridades, caso seja necessário.

