O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, e o X (antigo Twitter) apresentem, em até 24 horas, esclarecimentos sobre suspeitas de tratamento desigual entre as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026.
A decisão foi tomada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, após uma ação apresentada pela campanha de Lula, que aponta possíveis irregularidades na distribuição de conteúdos políticos e no alcance de publicações nas redes sociais.
A representação levanta suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, sob a alegação de que mecanismos das plataformas poderiam estar prejudicando uma candidatura em benefício da outra.
O tribunal solicitou informações técnicas sobre o funcionamento dos algoritmos, os critérios de recomendação de conteúdo, a veiculação de anúncios eleitorais e os procedimentos de moderação adotados pelas empresas.
A Meta também deverá esclarecer questões relacionadas a traduções automáticas, buscas por GIFs e hashtags e possíveis diferenças na distribuição de conteúdos políticos. Já o X terá de fornecer informações sobre o funcionamento do Grok, ferramenta de inteligência artificial da plataforma, especialmente em relação às respostas envolvendo os candidatos.
Outro episódio citado na ação envolve a remoção de um vídeo intitulado “Flavinho de Papai”, publicado no Instagram pelo projeto Revelando Brasil. A plataforma justificou a exclusão pelo uso de inteligência artificial. O caso deverá passar por revisão humana, caso isso ainda não tenha ocorrido, e a empresa deverá informar os motivos da decisão.
A determinação não representa uma conclusão de que houve favorecimento eleitoral. O objetivo é reunir informações para verificar se ocorreu tratamento desigual ou alguma irregularidade na atuação das plataformas.
O ministro também decidiu não suspender, neste momento, as traduções automáticas da Meta. Outros pedidos apresentados pela campanha serão analisados após o recebimento dos esclarecimentos.
Em caso de descumprimento injustificado da ordem, as empresas poderão receber multa diária de R$ 500 mil cada. Flávio Bolsonaro e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), também deverão apresentar defesa no prazo de cinco dias.
A investigação ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

