Uma nova fase da “Operação Contenção” colocou no radar da polícia não só criminosos ligados ao tráfico, mas também pessoas próximas ao rapper Oruam, incluindo a própria mãe e o irmão do artista. A ação, deflagrada na manhã desta quarta-feira (29), mira o coração financeiro do Comando Vermelho e tenta desmontar o esquema usado para esconder e movimentar dinheiro do tráfico. Até às 7h, havia um preso, que de acordo com a polícia, atuava como operador financeiro.
Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Os locais estão ligados a investigados apontados como peças-chave no funcionamento do esquema.
Segundo as investigações, que duraram cerca de um ano, a facção montou uma engrenagem sofisticada para fazer o dinheiro ilegal circular sem levantar suspeitas. O esquema funcionava assim: valores do tráfico eram distribuídos entre várias contas de terceiros, fragmentados e depois reinseridos na economia como se fossem recursos legais.
A polícia afirma que encontrou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, o que reforça a suspeita de lavagem de dinheiro. Além disso, os agentes identificaram operadores responsáveis por intermediar diversas transações seguidas, uma estratégia para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foram conversas interceptadas entre um dos líderes da facção, conhecido como “Gardenal”, e um miliciano. Os diálogos indicam que, mesmo preso há anos, Marcinho VP, pai de Oruam, continua exercendo forte influência dentro da organização criminosa.
A ofensiva faz parte de um plano maior do Governo do Estado para enfraquecer o Comando Vermelho atacando sua estrutura financeira, considerada essencial para manter as atividades do tráfico. Desde o início da operação, mais de 300 pessoas já foram presas, além de centenas de armas e milhares de munições apreendidas.
As investigações continuam e a polícia não descarta o envolvimento de outras pessoas e até empresas no esquema.

